Até quando? Mais uma criança perde a vida no transporte escolar rural da região Oeste da Bahia

 Até quando? Mais uma criança perde a vida no transporte escolar rural da região Oeste da Bahia

Ontem, meu coração de pai chorou ao ver na minha timeline do facebook a imagem de um menino morto em uma estrada de chão do interior de Correntina, região Oeste da Bahia. Mais precisamente e ironicamente, no  povoado de Busca Vida, o pequeno Uarlei Araújo dos Santos, de apenas sete anos, teve a vida interrompida por negligência do Estado, sim do Poder Público que tem ignorado a situação do transporte escolar no interior, feito sem a segurança necessária às crianças.

O acidente aconteceu na última terça-feira, dia 29 de setembro de 2015. Segundo informações, ele teria caído ao descer do ônibus e a roda traseira do veiculo teria passado por cima dele. Uma tragedia anunciada. Ele não estava brincando na estrada, pelo contrário, o pequeno Uarlei estava voltando da escola, feliz e contente. Bastou apenas alguns segundos para que aquele que era até então um momento de alegria se transformasse em lágrimas.

No meio da estrada, uma vida que se foi de forma brutal

O que mais me chocou foi a agressão daquela cena, uma foto de uma criança morta no chão e os colegas ali ao redor velando o corpo até que uma atitude fosse tomada. Ali no meio da estrada, sequer um pano velho foi colocado sobre o corpo (lágrimas). Fico a imaginar o momento exato em que o pai e a mãe se depararam com aquela imagem, a dor é tão grande que consigo sentir um pouco dela aqui no peito. Não sei como foi esse momento, mas imagino que foi algo desesperador. Um sofrimento que nem o tempo será capaz de apagar. Após a morte, vêm as lembranças das últimas palavras ditas dentro do ônibus, os últimos movimentos, e as recordações do último dia na escola.

O fato é que essa morte teve responsáveis que precisam pagar pelo que ocorreu. Essa não é a primeira tragédia que tira a vida de crianças no transporte escolar da zona rural. Quem se lembra da morte de uma menina de 11 na região da Caniveta no municipio de Santa Maria da Vitória? Pois é, o que foi feito para evitar que outras crianças tenham a vida ceifada? Lhe digo que nada.

Além do motorista, o Poder Público, no caso as prefeituras da região, têm de exigir nos contratos a presença de um cuidador, uma pessoas responsável por ajudar as crianças a subirem e descerem dos ônibus. Os degraus são altos para crianças tão pequenas como Uarlei. Imagine quantas pequeninos utilizam diariamente o transporte escolar rural? parou para pensar? Sim, são muitos, e todas eles estão correndo o mesmo risco. Até quando?

Enquanto a devida assistência não chega, deveria ser escolhido entre os estudantes mais velhos, um para cuidar dos pequenos. Não é possível deixar que outra tragedia dessa volte a se repetir por negligência, falta de cuidado com os pequenos. Uma solução seria lacrar a porta traseira e permitir a entrada e saída do ônibus apenas pela porta da frente, aos olhos do motorista.

Em nota, A Coopvel – Cooperativa de Transportes afirmou que adota todos os cuidados necessários para proteger as crianças que utilizam o transporte escolar. Mas, se há esse cuidado todo porque o motorista não verificou se a criança tinha realmente descido com segurança antes de avançar o veículo? Porque ele não desceu e foi lá ajudar o pequeno Uarlei a descer? Alguém pode me dizer – Mas isso não é possível, Maurizan, são muitas crianças, iria provocar atrasos na viagem. Pode até ter gente, que diga: Mas o motorista não é pago para isso, ele tem é de dirigir, a culpa é da empresa que não contratou um ajudante. Outras pessoas, podem afirmar categoricamente que a responsabilidade é da Prefeitura que não adotou as medidas necessárias, no contrato, para garantir a segurança das crianças.

Leia com atenção a nota da cooperativa, e me diga, o pequeno Uarlei foi assistido devidamente? “A Coopvel esclarece ainda que todo o seu corpo de cooperados recebe orientações específicas com profissionais habilitados para oferecer todos os cuidados no transporte escolar, além de exigir e regulamentar rotinas de fiscalização e revisão dos veículos transportadores.  A partir desse momento, a Coopvel vai intensificar ações e atuar com maior rigor junto a profissionais e veículos para que fatos lamentáveis como esse não se repitam jamais”, conclui.

Nós no Matutar, esperamos que o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) adote todas as providência para apurar o caso e punir com rigor da lei os responsáveis pelo acidente.

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